Fora da mesinha no carnaval

Fora da mesinha no carnaval

Um feriado tão longo como o Carnaval sempre preocupa pais de crianças com TEA. Quebra de rotina, lugares novos e desconhecidos, interação com pessoas estranhas e barulho excessivo são somente algumas das dificuldades enfrentadas por eles. Dá para garantir estratégias ABA em meio a esse aparente caos? Dá sim! Vou falar dessas estratégias de forma mais detalhada em posts futuros. Por enquanto, deixo algumas delas aqui como dicas e sugestões:

  • Monte junto com a criança um álbum com as principais fotos dos lugares que ela frequentará durante o feriado e das pessoas que ela encontrará nesse período. Vale colocar imagens retiradas da Internet ou fotos que você eventualmente já tenha. O importante é tornar esse material atrativo e informativo/antecipatório para a criança. Nos dias do feriado, retome com ela o álbum sempre que necessário. Por exemplo, visita à casa da vovó – mostre novamente a foto da vovó e converse com ela sobre isso (pergunte quem ela visitará, apontando a foto; pergunte quem está na foto; diga de forma clara e simples que vocês visitarão a vovó naquele momento, etc.).
  • Inclua as atividades do feriado no quadro de rotina visual da criança. Seu filho não tem quadro de rotina ou você não sabe ainda o que é isso? Não se preocupe, garanta a confecção do álbum de fotos para esses dias. Em posts futuros explicarei o que é esse procedimento.
  • Tente manter atividades principais da rotina da criança nos horários habituais (ou pelo menos próximos deles). Sim, essa também é uma dica importante e faz parte de planejar um ambiente mais seguro para seu filho nesses dias.
  • Avalie a necessidade de incluir algum equipamento de proteção para eventuais contextos com muitas variações de estimulação sensorial: um profissional da Terapia Ocupacional é fundamental para orientações mais precisas quanto a isso, mas citando um exemplo: uma criança pode precisar de fones de ouvido para abafar o barulho produzido numa festa.
  • Respeite o período de permanência da criança no local ou evento: qualquer criança dá sinais de desconforto após um período em uma festa, evento ou local. Fique atento aos sinais do seu filho e em qualquer um deles, ajude-o a dizer (falando, mostrando uma foto, apontando para o carro, etc.) que quer ir embora. Evite situações potencialmente aversivas que possam aumentar as chances da criança apresentar algum comportamento disruptivo.
  • Aproveite uma ou outra situação para estimular habilidades em desenvolvimento: você pode, por exemplo, estimular que a criança peça uma garrafa de água para o vendedor. Ela pode pedir falando, mostrando uma foto, apontando diretamente para a garrafa d’água. Cuidado: estimule sem tornar isso uma obrigação, afinal de contas, ela não está no momento de ‘terapia’.
  • Tire fotos dos momentos mais especiais vividos pela criança e aproveite para estimular conversação: você pode selecionar algumas fotos ao final do dia e fazer perguntas simples para a criança como: ‘onde você estava?’, ‘o que você fez?’, ‘com quem você estava?’, ‘o que mais gostou?’, etc. Ela pode falar diretamente, respondendo as perguntas ou mostrar/apontar fotos de um livro de pistas visuais (falaremos mais sobre esse procedimento em outras publicações). Também tome cuidado em selecionar uma ou duas fotos e fazer somente uma ou duas perguntas sobre cada uma delas para não exigir demais da criança nesse momento.
Essas são algumas dicas para o Carnaval. Todas elas estão fundamentadas nos pressupostos da ABA. Falaremos mais especificamente sobre elas, características, alguns termos técnicos, etc., mais para frente. Lembrando: ABA não é método no sentido estrito regras de conduta ou passos de uma receita. Um profissional especializado na área deve ser sempre consultado para melhor individualização das orientações.
Bom Carnaval a todos!

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