02 de abril – Dia de conscientização sobre o Autismo e o papel do analista do comportamento nesse contexto

02 de abril – Dia de conscientização sobre o Autismo e o papel do analista do comportamento nesse contexto

O mês de abril é marcado, anualmente, por uma série de eventos realizados no mundo todo sobre a importância de conscientizar a sociedade sobre o TEA (Transtornos do Espectro Autista) e aumentar as chances de, gradativamente, uma efetiva promoção de inclusão social. Esse ano, nós do Grupo ABA fora da mesinha, decidimos trazer uma peça-chave da intervenção em Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e que tem tudo a ver com esse processo: a validade social do trabalho do analista do comportamento. Você já ouviu falar nesse termo?

            Validade social se refere a um conjunto de atitudes e comportamentos profissionais que o analista do comportamento precisa realizar e que definem, no fim das contas, a quem e a que o trabalho dele está servindo. A validade social está diretamente ligada a parte ética do trabalho e qualquer intervenção norteada por esse conceito precisa olhar para:

  1. OBJETIVOS X METAS DE INTERVENÇÃO: quando falamos em METAS, geralmente, nos referimos a resultados previamente colocados e que precisamos alcançar a todo custo – por exemplo, um vendedor precisa bater sua meta de vendas mensal para conquistar um bônus, uma gratificação. Já quando falamos em OBJETIVOS estamos olhando para um planejamento mais dinâmico e sistêmico do futuro – por exemplo, uma pessoa pode ter o objetivo de aproveitar um dia de sol no final de semana e precisa estar aberta a, de repente, mudar de planos, em função da mudança de tempo e temperatura (chuva) para continuar garantindo o momento de prazer. Os objetivos da intervenção em ABA precisam ser dinâmicos e sensíveis às constantes mudanças das necessidades da população atendida (criança, jovem, adulto, famílias, etc.). E um dos desafios do analista do comportamento é: necessidades de quem? Para que? Para quem? Quando atuamos com crianças, para as necessidades de quem precisamos olhar? Da criança? Dos pais? E quando há um descompasso entre as necessidades da criança e as expectativas da família? Ou quando há divergências entre as necessidades de um adolescente/jovem e as expectativas de seus pais? E quando a criança/jovem/adolescente não fala (e se comunica de outra forma, ou nem se comunica)? Essas são todas questões de base para uma intervenção válida socialmente e, no fim, realmente significativa para um processo de inclusão social.
  2. USAR ESTRATÉGIAS, PROCEDIMENTOS E PROTOCOLOS DE FORMA CRÍTICA: existe uma infinidade de estratégias, procedimentos e protocolos de intervenção em ABA. Uma infinidade mesmo! Mas, para além de conhecer todas elas, o analista do comportamento olha (ou precisa olhar) para as necessidades da pessoa atendida por ele. A regra de ouro é: a pessoa atendida sempre tem razão. Se o procedimento não está funcionando, troque o procedimento, reveja os objetivos, enfim, olhe de novo para a pessoa que está atendendo e suas reais necessidades. Compreender as premissas da ABA, implica, inclusive, em romper com o que já está padronizado e criar novos caminhos, sempre que necessário. Isso claro, garantindo as premissas filosóficas do trabalho nessa área.
  3. RESULTADOS X EFEITOS DA INTERVENÇÃO: essa distinção também é importante na intervenção em ABA. RESULTADOS, geralmente, podem ser confundidos com efeitos mais imediatos de uma atuação pontual e não sistêmica. Por exemplo, um “resultado” da aplicação de um programa de identificação de cores na terapia pode ser a criança atingir o critério estabelecido pelo próprio programa. Isso não significa, necessariamente, que ela aprendeu a habilidade de identificar cores. Para enxergarmos os EFEITOS dessa intervenção, precisamos olhar para o dia a dia dessa criança e ver como ela se comporta diante das cores com as quais ela interage, nos mais diversos contextos. Os EFEITOS de uma intervenção em ABA válida socialmente são ou precisam ser, na sua essência, mudanças significativas da vida da pessoa atendida. E nesse ponto, também temos muitos desafios para o analista do comportamento: mudanças em quais direções? Quem define essas direções, dentro do processo de intervenção e co-responsabilidade entre analista do comportamento e quem é atendido? Quem avalia a efetividade dessas mudanças?

Nós do Grupo ABA fora da mesinha acreditamos que todos esses desafios diários do nosso trabalho e o quanto conseguimos estar sensíveis a eles é o que, efetivamente, pode garantir o nosso compromisso nessa caminhada de real conscientização sobre TEA e toda a diversidade que nos é inerente como sociedade e como humanidade.

Que este dia 02 de abril seja efetivamente um marco para nos olharmos e pensar no quanto estamos nesse caminho. 

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